Os Sacramentos


O que é um sacramento?

“A Igreja nos ensina que os sacramentos são meios de graça, ou seja, são formas através das quais o amor salvador de Deus chega até nós. Aprendemos no antigo catecismo da IEAB a definição de sacramento: “sacramento é um sinal externo visível de uma graça interna espiritual.”


Isto pressupõe que um sacramento é dividido em duas partes.

A primeira vem da primeira metade da definição acima: Sinal.

Um sinal é algo que aponta para algo que é maior que ele próprio. Por exemplo, uma placa, num poste, com a palavra escola, aponta para algo maior que a própria placa. A placa não é a escola, apenas indica que há uma escola nas proximidades. E, externo, é algo que está fora de nós ou de nosso corpo. Por exemplo, existem remédios de uso interno, como xaropes e comprimidos e há remédios de uso externo, como pomadas e colírios.

Finalmente, visível. Visivel,  é algo que podemos enxergar. Desse modo, a primeira parte da definição de sacramento é caracterizada pelo uso de gestos e elementos concretos que sentimos e enxergamos e que apontam para uma realidade maior. A Segunda parte do sacramento, às vezes, é mais difícil de ser percebida.



batismoToda sociedade ou organização tem algum rito de iniciação pelo qual aqueles que vão tornar-se membros dela são introduzidos no grupo e recebem os direitos e privilégios que lhes cabem como membros. Assim é que a Igreja cristã tem a sua iniciação para os que se tornam membros dela.

Mas esse rito cristão é muito diferente da iniciação em alguma sociedade meramente humana. É também entrada no Corpo místico de Cristo, onde a Sua redenção é conhecida e Sua graça dada. O Livro de Oração Comum, pág. 163: Ensina que por meio do Santo Batismo: “nascemos espiritualmente, passamos a pertencer à Comunidade dos Fiéis e somos feitos para sempre filhos de Deus e discípulos de Cristo.”

O Santo Batismo marca nosso ingresso na família da Igreja, uma vez que já somos parte de uma família humana. Ele é o início de nossa vida na fé. Deus através Dele nos recebe e como Ele não age sozinho, os pais, padrinhos e toda a congregação, pelo poder do Espírito Santo assumem o cuidado pelo nosso crescimento espiritual.

Então, de fato, começamos a receber a Graça de Deus sobre nós. Jesus mesmo considerou importante que Ele também recebesse o Batismo pela água. A água é um sinal externo que simboliza que nossos pecados foram todos lavados por nosso Salvador. Ela também representa o toque do Espírito Santo nos abençoando com a Vida Nova, da mesma forma que ocorreu no Batismo de Jesus. O Batismo marca assim, o nascimento para a vida eterna, que começa nessa vida terrena. Com o Batismo, começamos a entender e compreender o que significa sermos amados por Deus.


O Batismo é um começo

O Batismo não fará muita diferença se não houver uma dedicação posterior, tanto da parte dos pais e dos padrinhos até à maturidade da criança, como, mais tarde, do próprio batizando. Lembremos que é muito difícil participar de uma família e receber os benefícios daí advindos, se não houver contato com os outros membros. Por isso, é importante que o batizado cresça dentro do ambiente cristão, o que inclui naturalmente o convívio na Igreja, para que possa entender o significado do plano de Salvação que Deus tem para todos nós. É praticamente impossível que uma criança se torne um verdadeiro cristão se o pai e a mãe não praticam a fé. A fé dos pais e padrinhos é, portanto, crucial com relação ao Batismo.

O Batismo na Igreja Anglicana
Pessoas de qualquer idade podem ser batizadas, desde que não tenham ainda sido batizadas. A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil pratica o batismo infantil, como fazia a Igreja primitiva, embora, naturalmente, os primeiros convertidos fossem adultos.

Por Que Batizamos Crianças?
Para nós, há vários argumentos sólidos que justificam o Batismo de crianças, entre os quais mencionaremos os seguintes:

As Crianças e o Pacto do Velho Testamento
As crianças sempre fizeram parte integrante da família de Deus, tanto no Velho quanto no Novo testamento: “Essa é a aliança que estabelecerei entre mim e vós, e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio: será isto por sinal de aliança entre mim e vós” ( Gn 17.10,11). “Porque a promessa é para vós e para vossos filhos” ( At 2.39). Se a Igreja, no Velho Testamento, admitiu crianças, não podemos excluí-las, no Novo Testamento, negando-lhes o Batismo.

Batismo e Circuncisão
Nas palavras de Paulo, em Cl 2.11,12, o Batismo é a “circuncisão de Cristo”. Estes dois ritos – Circuncisão e Batismo – têm o mesmo propósito, a saber, a iniciação na Igreja de Deus. Ora, a criança judia era circuncidada no oitavo dia, depois do nascimento. Nada há que possa impedir procedimento idêntico, que é a aplicação do batismo às crianças na Igreja de Cristo.

Batismo de Famílias Inteiras
No Novo Testamento, há várias referências a batismos de famílias inteiras. É mais natural concluir que nessas famílias houvesse crianças, que teriam recebido também o Batismo.
(Ler At 16.15; 16.33; 18.8).

O Testemunho de Jesus Sobre as Crianças
Jesus disse que “das criança é o reino dos céus”. Quem tem o mais, tem o menos. Como privá-las do Batismo, se a elas pertence o reino dos céus?”

Vale ressaltar que as Igrejas Católica Romana, Presbiteriana, Metodista, Luterana e Ortodoxa, também administram o sacramento do Santo Batismo às crianças. A Igreja Anglicana reconhece como válido qualquer batismo com água, administrado em nome da Santíssima Trindade, conforme ensina o Evangelho (Mateus 28:19). Não pratica o rebatismo. Em caso de dúvida, a liturgia do Batismo possui uma fórmula para o Batismo condicional. Qualquer pessoa batizada pode participar da Santa Eucaristia e receber regularmente os elementos da santa comunhão, se para isso, se julgar digna diante de Deus.


Os Padrinhos
Na Igreja primitiva, a vida cristã era muito difícil e incerta. Havia perseguições aos cristãos, as guerras eram constantes e muitas pessoas morriam prematuramente. Sendo assim, havia a possibilidade de após a morte dos pais, a criança batizada ficar aos cuidados de uma família pagã. Para evitar isto, a Igreja passou a adotar padrinhos, e estes assumiam o papel de pais espirituais. O papel do padrinho é muito importan-te. Os deveres dos padrinhos são grandes e fazem parte do próprio ritual do batismo. Por isso, exige-se que os padrinhos sejam também batizados e que, recebam instrução sobre os deveres e responsabilidades que assumiram.


Sugestões para os Padrinhos
As sugestões que aqui fazemos a vo-cê poderão ser úteis no desempenho das suas responsabilidades:
1- Adquira sempre o hábito de orar por seu afilhado.
2- Cultive a amizade do seu afilhado. Multiplique os contatos proveitosos. Lembre-se dos seus aniversários de nascimento e batismo, enviando-lhe uma carta ou lhe oferecendo um presente adequado.
3- Quando seu afilhado já tiver idade suficiente, faça com que ele seja matriculado na Escola Dominical da Igreja e que a freqüente com a devida assiduidade.
4- Encoraje-o para que ele esteja sempre presente aos ofícios religiosos da Igreja.
5- Esforce-se para que ele possua a Bíblia e o Livro de Oração Comum e que os leia.
6- Esteja sempre que possível, em sua companhia durante os Ofícios Religiosos da Igreja.


Oração do Padrinho

Ó Senhor Jesus Cristo, que tomas as crianças nos braços de Tua misericórdia e as fazes membros vivos da Tua Igreja, concede graça, eu Te suplico, ao meu afilhado para que ele cresça na tua fé, obedeça à Tua palavra e persevere em Teu amor, a fim de que, fortalecido por teu Espírito Santo, possa resistir às tentações, vencer o mal, regozijar-se na vida que agora é, e habitar contigo na vida que há de vir, pelos teus méritos, ó misericordioso Salvador que com o Pai e o Espírito Santo, vives e reinas um só Deus, pelos séculos sem fim. Amém.


Qual o sentido do uso da água, óleo e vela na celebração do santo Batismo?
“Qualquer pessoa que tenha participado de uma celebração do Santo batismo deve ter percebido o uso de elementos visíveis que tentam traduzir o profundo simbolismo da iniciação cristã marcada por esse sacramento. A água, o óleo e a vela (círio) são os sinais externos visíveis. A água simboliza a morte para o pecado e o ressurgir para uma nova vida. O óleo simboliza a unção (escolha) do Espírito Santo que nos consagra para essa nova vida. Por fim, a vela batismal simboliza a luz do Cristo ressurrecto e vitorioso que nos ilumina nos caminhos da vida.”

 

O Sacramento da Eucaristia Coração da Fé Cristã


 “No coração do cristianismo está a Eucaristia, algo de absoluta simplicidade: o tomar, abençoar, partir e dar o pão, e o tomar, abençoar e dar um cálice de vinho e água, com o novo significado que lhe deu um jovem judeu depois de cear com seus amigos à véspera de sua morte.

Ele lhe disse que fizessem isto dali em diante com um novo sentido para recordá-lo e eles o têm feito desde então.”

Santa Eucaristia


Um monge anglicano, erudito em liturgia, Dom Gregório Dix, da Ordem de São Bento, disse uma vez:

No coração do cristianismo está a Eucaristia, algo de absoluta simplicidade: o tomar, abençoar, partir e dar o pão, e o tomar, abençoar e dar um cálice de vinho e água, com o novo significado que lhe deu um jovem judeu depois de cear com seus amigos à véspera de sua morte. Ele lhe disse que fizessem isto dali em diante com um novo sentido para recordá-lo e eles o têm feito desde então.